Lembra-se quando a Internet se tornou acessível a todos?
A maior parte de nós não tinha ideia de como tirar partido desta nova rede nem imaginava do que ela tinha para nos oferecer.
No entanto, ela suscitou interesse, entusiasmo, mas também desconfiança.
Sabíamos que muita coisa iria mudar, sem saber exactamente o quê e como.
Estamos atualmente num ponto semelhante relativamente à Inteligência Artificial.
Esta já está presente no nosso dia-a-dia ajudando-nos a escrever textos, gerir agendas, gerar ideias, a aprender, e muitas outras coisas na nossa vida pessoal e nas nossas organizações.
A Inteligência Artificial é algo que está aí e está a mudar o mundo mais rápida e profundamente do que a Internet o fez nas últimas décadas, e a um ritmo maior do que aquele que a espécie humana tem capacidade para mudar.
Este processo de mudança é inevitável e as organizações que singrarão no futuro serão aquelas tiverem a capacidade de tirarem partido das possibilidades oferecidas pela Inteligência Artificial transformando-as em ganhos de produtividade e criação de valor.
Mas, continuar a fazer o mesmo passando a utilizar uma nova tecnologia não permitirá obter resultados muito diferentes.
À semelhança de outros processos de transformação recentes desencadeados pela adopção de tecnologia, as organizações têm que por em causa os seus processos, modelo organizativo, funções e atribuições dos seus colaboradores para que consigam alcançar benefícios significativos da adopção da Inteligência Artificial.
No entanto, para que esta adopção pela organização se materialize em resultados sustentados, há alguns aspectos críticos a ter em consideração.
A nossa experiência nos domínios do desenvolvimento organizacional e da gestão da mudança levaram-nos a identificar quatro factores chave para que processos de transformação desta natureza sejam bem sucedidos, nomeadamente:
- Existência de “Campeões” – o facto de na Organização existirem entusiastas da adopção da Inteligência Artificial, que estudam o tema, conhecem as ferramentas e têm ideia de como as utilizar no contexto específico da sua organização é crucial para que se encontrem os campos de aplicação mais vantajosos, os novos processos e modelo organizativo. Durante o processo de mudança estes colaboradores desempenham um papel importante enquanto agentes de mudança.
- Desenvolvimento de competências – a preparação dos colaboradores para o desempenho das novas funções e utilização de novas ferramentas deve ser encarado como um processo contínuo. A tecnologia evolui a um ritmo acelerado e estão permanentemente a surgir novas necessidades.
- Medição do impacto – é importante medir os resultados alcançados e não apenas o nível de adopção. Para tal há que definir as métricas adequadas aos resultados pretendidos e medir continuamente de modo a conseguir ir fazendo os ajustes necessários e alcançar os benefícios desejados.
- Promoção da adopção – incentivar e promover as mudanças e os comportamentos que geram impacto positivo passa por introduzir nos sistemas de gestão do desempenho ajustes, alinhando-os com os objectivos e contributos esperados pelos diversos níveis/funções da Organização.
Como em qualquer processo de mudança, há que não esquecer que uma Organização é composta por pessoas, pelo que a tecnologia só funciona se estas a utilizarem.
Isto significa que é necessário que estas vejam para além da ferramenta que lhes é disponibilizada e entendam o valor acrescentado– o que ganhamos individualmente e colectivamente.
Independentemente de estar a dar os primeiros passos tendo em vista a utilização de Inteligência Artificial ou de já ir avançado no processo de adopção, este é um território desconhecido para todos.
É importante manter o interesse e curiosidade, desafiar-se, testar novas ideias e procurar aplicá-las.
